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Dirigido Por Elza Cataldo, Documentário Resgata Trajetória da atriz Eva Nil

Dirigido Por Elza Cataldo, Documentário Resgata Trajetória da atriz Eva Nil

Dirigido Por Elza Cataldo, Documentário Resgata Trajetória da atriz Eva Nil

Chamada de a “Greta Garbo brasileira”, a atriz Eva Nil é uma figura marcante do cinema nacional, mas pouco conhecida. Trabalhou em filmes de Humberto Mauro e Adhemar Gonzaga, hoje perdidos, e abandonou o cinema no final dos anos de 1920, passando a trabalhar ao lado de seu pai, Pietro Comello, com fotografia. O documentário O SILÊNCIO DE EVA, da cineasta mineira Elza Cataldo, resgata a trajetória da artista. Produzido pela Persona Filmes, o longa tem distribuição da Encripta e estreia no Espaço Itaú de Cinema, em São Paulo, dia 09 de Abril.

Combinando material documental e encenações que cobrem lacunas da vida de Eva, o filme reconstrói de forma poética a vida da atriz, nascida no Cairo em 1909. Eva viveu no Brasil até sua morte em 1990, em Cataguases (MG), onde passou a maior parte de sua vida, e trabalhou com Humberto Mauro, em Valadião, o Cratera (1925) e Na Primavera da Vida (1926).

“O filme nasce com a atriz Inês Peixoto, emocionada em descobrir a existência de uma outra atriz. Eva faz parte da história do cinema, da história das mulheres, embora sua memória seja frágil e fragmentada. Nossa intenção foi buscar os vestígios da sua existência como atriz e como fotógrafa na esperança de que, assim como ficamos encantadas em conhecê-la, ela possa surpreender lindamente outras pessoas”, explica a diretora.

Inês, ao lado do marido, ator Eduardo Moreira, e da jovem atriz Bárbara Luz (“Ainda estou aqui”), filha do casal, traz ao longa encenações de momentos imaginários da vida de Eva, além de discussões, entre o próprio trio, sobe a trajetória de Eva e a profissão de atriz.

“A linguagem do filme pretende equilibrar depoimentos, entrevistas, testemunhos sobre ela com as recriações ficcionais, com interpretações de atores, cenários e figurinos capazes de transportar o público para o universo criativo dela. Eva fazia parte de uma família de artista, assim como Inês, Eduardo e Bárbara. O paralelo entre estas duas famílias e seus processos criativos foram alinhavados de forma delicada na montagem do Armando Mendz.”

A própria diretora, também, tem uma longa trajetória no cinema, trabalhando como produtora e roteirista, tendo em seu currículo filmes como os longas ficcionais Vinho de Rosas (2005), As Órfãs da Rainha (2023), o documental O Levante de Bela Cruz (2021), e os curtas A Santa Visitação (2006), O Crime da Atriz (2007), Ouro Branco (2009), Lunarium – Retratos em Azul (2011), Lunarium – Sonhos e Utopias (2011) e A Má Notícia (2013).

Além disso, entre 1992 e 2006, Elza trabalhou como exibidora em Belo Horizonte, e fundou os Cinemas Usina-Liberdade (Belas Artes, Nazaré, Ponteio), e foi diretora do Usina Unibanco de Cinema e do Cineclube Unibanco Savassi.

Para a diretora, Eva é referência de uma mulher que ousou sonhar em fazer cinema em uma pequena cidade de Minas. “Os sonhos, os desafios, o desejo de profissionalismo, a intensidade de Eva, me inspiram. Entretanto, ao contrário dela, resisto.”

“Eva e nosso filme nos mostram que o cinema brasileiro ainda guarda as mesmas dificuldades: de viabilização financeira, de realização artística e, acima de tudo, de encontrar o seu público. Fiquei tristemente surpresa em perceber esses mesmos obstáculos desde o tempo da Eva, mas por ela e por tantas outras seguimos com alguns sucessos no nosso ofício cinematográfico e também com muitos vazios. Que tenhamos forças de continuar resistindo”, conclui a cineasta. 

Sinopse

O Silêncio de Eva resgata a história de Eva Nil, estrela do cinema mudo brasileiro que abandonou a carreira no auge e caiu no esquecimento. A atriz Inês Peixoto percorre sua trajetória, revive cenas perdidas e investiga os silêncios de uma mulher à frente de seu tempo. Com linguagem poética, o documentário é um tributo à memória do cinema, à força feminina por trás das telas e às histórias apagadas que merecem ser contadas.


O SILÊNCIO DE EVA

Brasil, 2025, 106 min

Direção e Produção – Elza Cataldo

Roteiro – Elza Cataldo, Christiane Tassis e Inês Peixoto

Elenco – Inês Peixoto, Barbara Luz, Eduardo Moreira, João Perdigão, Luís Parras, João Vitório, José Vilaça

Direção de Arte – Moacyr Gramacho

Cenografia – Luís Parras e Moacyr Gramacho

Figurino – Sayonara Lopes

Direção de Fotografia – Fernanda Tanaka e Marcelo Borja

Produção Executiva – Luiz Navarro

Assistente de Produção – Carol Durães

Montagem – Armando Mendz

Sobre Elza Cataldo

Elza Cataldo é diretora, produtora e roteirista. Com curso em Cinematografia pela Universidade de Nanterre e Doutora pela Sorbonne, França, foi também professora e pesquisadora pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Em 2023, Elza lançou o longa-metragem As Órfãs da Rainha, que participou de diversos festivais internacionais. No Festival Internacional de Cinema Feminino de Toronto, o filme foi agraciado com o prêmio de Melhor Filme Histórico. Além disso, a produção foi selecionada para o Washington Jewish Film Festival 2023 e ganhou o prêmio de Melhor Narrativa no Los Angeles Independent Women Film Awards. Participou também do Festival de Cinema Judaico de São Paulo e foi selecionado para a mostra competitiva do Energa Camera Image, na Polônia, o maior festival de cinema dedicado exclusivamente à direção de fotografia.

Entre outros trabalhos de Elza, estão o longa-metragem Vinho de Rosas (Prêmio de Melhor Diretora Estreante no Festival Internacional de Batumi – Geórgia 2006 e Prêmios de Melhor Figurino, Melhor Cenografia e Melhor Som Direto no Festival de Maringá 2006); o filme de curta-metragem O Crime da Atriz (Melhor Curta Brasileiro – Júri e Público, e prêmio TeleImage, ambos na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo 2007, e Menção Honrosa em Comédia no Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte 2008; o documentário A Santa Visitação e os curtas O Ouro BrancoLunarium e A Má Notícia.

Coprodutora dos longas-metragens A Luneta do Tempo, de Alceu Valença, e Meu Pé de Laranja Lima, de Marcos Bernstein. Foi coordenadora do Laboratório CINEPORT de Roteiros, consultora do ISVOR/FIAT sobre o tema Storytelling, palestrante e professora da Fundação Dom Cabral sobre estruturas estruturais, consultora do Programa Bahia Criativa (Minc/Secult) para desenvolvimento de roteiros, consultora da Casa da Economia Criativa/SEBRAE para projetos audiovisuais e líder do Núcleo Criativo de roteiros da Brokolis do Brasil. Exibidora de cinema em Belo Horizonte.

Dirigiu ainda os documentários de longa-metragem O Levante de Bela CruzO Silêncio de Eva, que estreia nos cinemas em março/abril de 2026, e Marianas disponível na plataforma Globoplay desde novembro de 2025, e está finalizando os longas-metragens de ficção A Pedra do Sino e Maria, a Rainha Louca e o documentário de longa-metragem Quem Ama Não Mata: o ato. Além disso, está preparando o longa-metragem de ficção O Passeio de Dendiara.

Sobre a Persona Filmes

A produtora Persona Filmes tem o foco no gênero histórico. Suas realizações aliam pesquisa estética e qualidade técnica a temas que revelam traços marcantes da identidade cultural brasileira e de seus personagens.

“Vivemos uma época de fortalecimento do protagonismo feminino que, entre outras conquistas, traz também o interesse de se conhecer as personagens esquecidas e invisíveis aos registros históricos. Através de um olhar mais atento, elas se revelam fascinantes, polêmicas, contraditórias e inspiradoras.

Ao resgatar a memória feminina, procuramos destacar e dar visibilidade à presença das mulheres na história e também criar personagens em busca de suas origens reais ou fictícias. Nesse sentido, temos ainda como objetivo aumentar a presença das mulheres e suas narrativas no audiovisual brasileiro.”

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