Um dos prédios mais conhecidos do Centro de Florianópolis, hoje, simboliza abandono e incerteza. A antiga rodoviária da Capital, entre as avenidas Mauro Ramos e Hercílio Luz, está cada vez mais degradada, cercada por tapumes frágeis e tomada por lixo, depredações e ocupações irregulares. O espaço, que um dia foi porta de entrada da cidade, vive agora um impasse judicial que impede qualquer solução definitiva.
Construído nos anos 1950 e inaugurado em 1959, o prédio funcionou como terminal rodoviário até 1981, quando a operação foi transferida para o Terminal Rita Maria. Ao longo das décadas seguintes, abrigou pequenos comércios e boxes, mas gradualmente perdeu atividade até ser completamente desocupado.
Nos últimos anos, a situação se agravou. Vistorias de órgãos públicos apontaram infiltrações, rachaduras, problemas nas instalações elétricas e ausência de sistemas de segurança contra incêndio. Técnicos também alertaram para o risco à população que circula no entorno, uma das mais movimentadas da cidade. Quem mora perto também não aguenta mais conviver com a sujeira do local.
Enquanto o prédio se deteriora, cresce o número de invasões e episódios de insegurança. Moradores da região relatam que o local virou abrigo improvisado para pessoas em situação de rua e usuários de drogas. Também há registros de depredações, lixo acumulado e em pelo menos duas ocasiões, de princípios de incêndio
Preservação ou demolição
Agora, município e Ministério Público aguardam o laudo de um perito judicial que deverá avaliar se o prédio merece preservação ou se pode ser demolido. A partir desse parecer, ainda sem prazo, a Justiça poderá autorizar ou não a derrubada do imóvel.
Enquanto a decisão não chega, o prédio segue parado no tempo, e os problemas aumentam. No coração da cidade, o antigo símbolo da mobilidade urbana se transformou num dos maiores exemplos de abandono urbano da capital catarinense.
Prefeitura defende demolição e venda
Diante desse cenário, a prefeitura defende a demolição do edifício. A administração municipal argumenta que o prédio não possui valor histórico relevante e que a derrubada permitiria a venda da área para implantação de um novo empreendimento urbano.
O caso, porém, está longe de uma solução simples. Dentro do próprio MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) não há consenso sobre o destino do imóvel. Parte dos promotores defende a demolição por razões de segurança, enquanto outra ala sustenta que é preciso avaliar se o prédio tem valor histórico, cultural ou arquitetônico.
Por esse motivo, a Justiça determinou que não haja intervenção até a conclusão de um estudo técnico independente sobre o valor patrimonial da edificação. A medida cautelar também determinou reforço no isolamento da área para evitar novas invasões e depredações.
A NOVELA DA ANTIGA RODOVIÁRIA
1959
Inauguração do terminal rodoviário no Centro de Florianópolis.
1981
Transferência da rodoviária para o Terminal Rita Maria. Na sequência, o prédio passa a abrigar comércio e boxes.
Dos anos 80 até 2025
Período de atividades comerciais, com lojas de diferentes ramos, porém, de forma irregular, sem uma garantia legal de permanência no imóvel público.
Em 2023
A Prefeitura de Florianópolis intensifica ações de notificação pedindo a saída dos comerciantes. Como não havia título que os garantisse no imóvel público, a prefeitura conseguiu retomar o prédio.
2023
Vistorias da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros apontam riscos estruturais e ausência de sistemas de segurança contra incêndio.
Janeiro de 2025
Os últimos comerciantes deixam o imóvel, após sucessivas notificações.
No decorrer de 2025
Área passa a registrar invasões, depredações e ocupação por pessoas em situação de rua.
Julho de 2025
Justiça proíbe demolição até que seja avaliado o possível valor histórico do imóvel.
Julho de 2025
Ministério Público faz vistoria emergencial no prédio.
Agosto de 2025
MP pede demolição imediata por risco à população.
2026
Justiça determina perícia técnica, a pedido da prefeitura e do MPSC, para definir se o prédio deve ser preservado ou demolido.
(ND, 07/04/2026)
Publicado em 07 abril de 2026
fonte https://floripamanha.org/2026/04/destino-da-antiga-rodoviaria-segue-na-justica-em-meio-ao-abandono/
