{"id":7012,"date":"2026-03-30T10:04:38","date_gmt":"2026-03-30T13:04:38","guid":{"rendered":"https:\/\/rbcc.net.br\/wp\/estresse-social-pode-fazer-com-que-gays-lesbicas-e-bis-consumam-mais-ultraprocessados\/"},"modified":"2026-03-30T10:04:38","modified_gmt":"2026-03-30T13:04:38","slug":"estresse-social-pode-fazer-com-que-gays-lesbicas-e-bis-consumam-mais-ultraprocessados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rbcc.net.br\/wp\/estresse-social-pode-fazer-com-que-gays-lesbicas-e-bis-consumam-mais-ultraprocessados\/","title":{"rendered":"Estresse social pode fazer com que gays, l\u00e9sbicas e bis consumam mais ultraprocessados"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Um novo estudo brasileiro analisou padr\u00f5es de consumo alimentar e de bebidas alco\u00f3licas de pessoas l\u00e9sbicas, gays e bissexuais. O artigo foi\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1186\/s40795-026-01285-5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado<\/a>\u00a0na revista cient\u00edfica BMC Nutrition e utilizou dados de mais de 85 mil indiv\u00edduos maiores de 18 anos da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) em parceria com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, mulheres bissexuais reportaram probabilidade 22% maior de consumo de doces e guloseimas \u2013 um indicador de consumo de ultraprocessados \u2013 e um consumo menos recorrente de feij\u00e3o e vegetais. Al\u00e9m disso, mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais relataram consumir bebidas alco\u00f3licas em maior frequ\u00eancia (44% e 59%, respectivamente) do que as heterossexuais. Homens gays tamb\u00e9m apresentaram maior consumo de doces e guloseimas e menor consumo de feij\u00e3o e peixe. A pesquisa aponta\u00a0que\u00a0fatores\u00a0como\u00a0estresse\u00a0social\u00a0e\u00a0discrimina\u00e7\u00e3o\u00a0podem\u00a0estar\u00a0associados\u00a0a\u00a0esses\u00a0padr\u00f5es\u00a0alimentares, e os achados podem contribuir para pol\u00edticas p\u00fablicas e diretrizes nutricionais mais inclusivas para a popula\u00e7\u00e3o LGB no Brasil.<\/p>\n<p>A Pesquisa Nacional de Sa\u00fade incluiu a vari\u00e1vel orienta\u00e7\u00e3o sexual pela primeira vez em sua edi\u00e7\u00e3o mais recente, de 2019. Dos mais de 85 mil indiv\u00edduos que participaram da pesquisa, 84,359 se declararam heterossexuais, 520, como bissexuais e 980, como homossexuais.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador S\u00e1vio Gomes, professor da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) e orientador do trabalho de conclus\u00e3o de curso do aluno Paulo Gustavo Cruz, que motivou o artigo, a iniciativa surgiu a partir de uma lacuna hist\u00f3rica na investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre a sa\u00fade de minorias sexuais no pa\u00eds. Gomes \u00e9 pesquisador do tema e\u00a0<a href=\"https:\/\/abori.com.br\/alimentos\/sete-entre-dez-pessoas-trans-relatam-inseguranca-alimentar-na-pandemia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">coordenador de estudos sobre impacto da inseguran\u00e7a alimentar na popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+<\/a>.<\/p>\n<p>Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram as respostas de entrevistas coletadas na PNS e aplicaram modelos estat\u00edsticos para identificar padr\u00f5es alimentares entre diferentes grupos populacionais. A an\u00e1lise considerou vari\u00e1veis como renda per capita do domic\u00edlio, regi\u00e3o de moradia, ra\u00e7a ou cor da pele e escolaridade, permitindo avaliar se as diferen\u00e7as observadas permaneciam mesmo ap\u00f3s o controle desses fatores.<\/p>\n<p>Os resultados indicam que a orienta\u00e7\u00e3o sexual se configura como um determinante social significativo associado ao consumo de determinados alimentos e bebidas no Brasil. \u201cAs diferen\u00e7as de orienta\u00e7\u00e3o sexual no consumo de alimentos permanecem independentemente de renda, regi\u00e3o, ra\u00e7a ou escolaridade, o que refor\u00e7a que estamos diante de uma disparidade relevante\u201d, ressalta Gomes.<\/p>\n<p>Um dos aspectos que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos cientistas foi a maior vulnerabilidade nutricional observada entre mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais. \u201cEssa vulnerabilidade significa que essas mulheres podem estar mais expostas a padr\u00f5es alimentares que impactam negativamente a sa\u00fade a longo prazo. A exposi\u00e7\u00e3o a uma alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel tamb\u00e9m pode ser um indicador de maior exposi\u00e7\u00e3o a estressores sociais\u201d, aponta o pesquisador.<\/p>\n<p>Os autores tamb\u00e9m levantam a hip\u00f3tese de que fatores como preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social possam influenciar o comportamento alimentar. \u201cO consumo de doces, refrigerantes e \u00e1lcool pode estar associado a respostas fisiol\u00f3gicas relacionadas ao sistema l\u00edmbico e \u00e0 regula\u00e7\u00e3o da dopamina\u201d, explica Gomes. Em contextos de vulnerabilidade psicol\u00f3gica, podem ser acionados mecanismos relacionados \u00e0 busca por recompensa e regula\u00e7\u00e3o do estresse.<\/p>\n<p>Outro achado interessante est\u00e1 relacionado ao consumo de carne vermelha entre homens. Tradicionalmente associada a padr\u00f5es culturais de masculinidade, essa prefer\u00eancia pode variar conforme a orienta\u00e7\u00e3o sexual. A pesquisa mostra que homens gays consomem carne vermelha e feij\u00e3o com menor frequ\u00eancia do que homens heterossexuais, mas ingerem frango com maior regularidade.<\/p>\n<p>Os autores avaliam que os resultados trazem contribui\u00e7\u00f5es relevantes para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e estrat\u00e9gias de sa\u00fade mais inclusivas. \u201cCompreender de forma mais detalhada os padr\u00f5es de consumo \u00e9 essencial para desenvolver interven\u00e7\u00f5es nutricionais direcionadas e estrat\u00e9gias de sa\u00fade p\u00fablica capazes de reduzir essas iniquidades\u201d, afirma Gomes.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisa j\u00e1 trabalha em novos desdobramentos do estudo, como an\u00e1lises sobre a rela\u00e7\u00e3o entre orienta\u00e7\u00e3o sexual e obesidade, sa\u00fade mental, viol\u00eancia e preval\u00eancia de c\u00e2ncer, al\u00e9m de estudos sobre poss\u00edveis diferen\u00e7as entre gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A pesquisa contou com apoio do Programa de Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Pesquisa da UFPB, voltado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de estudantes de gradua\u00e7\u00e3o em atividades cient\u00edficas.<\/p>\n<p class=\"has-small-font-size\">Ag\u00eancia Bori<\/p>\n<\/div>\n<p>FOnte<a href=\"https:\/\/portalbrasilcriativo.com.br\/estresse-social-pode-fazer-com-que-gays-lesbicas-e-bis-consumam-mais-ultraprocessados\/\">https:\/\/portalbrasilcriativo.com.br\/estresse-social-pode-fazer-com-que-gays-lesbicas-e-bis-consumam-mais-ultraprocessados\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo brasileiro analisou padr\u00f5es de consumo alimentar e de bebidas alco\u00f3licas de pessoas l\u00e9sbicas, gays e bissexuais. O artigo foi\u00a0publicado\u00a0na revista cient\u00edfica BMC Nutrition e utilizou dados de mais de 85 mil indiv\u00edduos maiores de 18 anos da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) em parceria com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Segundo o levantamento, mulheres bissexuais reportaram probabilidade 22% maior de consumo de doces e guloseimas \u2013 um indicador de consumo de ultraprocessados \u2013 e um consumo menos recorrente de feij\u00e3o e vegetais. Al\u00e9m disso, mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais relataram consumir bebidas alco\u00f3licas em maior frequ\u00eancia (44% e 59%, respectivamente) do que as heterossexuais. Homens gays tamb\u00e9m apresentaram maior consumo de doces e guloseimas e menor consumo de feij\u00e3o e peixe. A pesquisa aponta\u00a0que\u00a0fatores\u00a0como\u00a0estresse\u00a0social\u00a0e\u00a0discrimina\u00e7\u00e3o\u00a0podem\u00a0estar\u00a0associados\u00a0a\u00a0esses\u00a0padr\u00f5es\u00a0alimentares, e os achados podem contribuir para pol\u00edticas p\u00fablicas e diretrizes nutricionais mais inclusivas para a popula\u00e7\u00e3o LGB no Brasil. A Pesquisa Nacional de Sa\u00fade incluiu a vari\u00e1vel orienta\u00e7\u00e3o sexual pela primeira vez em sua edi\u00e7\u00e3o mais recente, de 2019. Dos mais de 85 mil indiv\u00edduos que participaram da pesquisa, 84,359 se declararam heterossexuais, 520, como bissexuais e 980, como homossexuais. Segundo o pesquisador S\u00e1vio Gomes, professor da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) e orientador do trabalho de conclus\u00e3o de curso do aluno Paulo Gustavo Cruz, que motivou o artigo, a iniciativa surgiu a partir de uma lacuna hist\u00f3rica na investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre a sa\u00fade de minorias sexuais no pa\u00eds. Gomes \u00e9 pesquisador do tema e\u00a0coordenador de estudos sobre impacto da inseguran\u00e7a alimentar na popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+. Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram as respostas de entrevistas coletadas na PNS e aplicaram modelos estat\u00edsticos para identificar padr\u00f5es alimentares entre diferentes grupos populacionais. A an\u00e1lise considerou vari\u00e1veis como renda per capita do domic\u00edlio, regi\u00e3o de moradia, ra\u00e7a ou cor da pele e escolaridade, permitindo avaliar se as diferen\u00e7as observadas permaneciam mesmo ap\u00f3s o controle desses fatores. Os resultados indicam que a orienta\u00e7\u00e3o sexual se configura como um determinante social significativo associado ao consumo de determinados alimentos e bebidas no Brasil. \u201cAs diferen\u00e7as de orienta\u00e7\u00e3o sexual no consumo de alimentos permanecem independentemente de renda, regi\u00e3o, ra\u00e7a ou escolaridade, o que refor\u00e7a que estamos diante de uma disparidade relevante\u201d, ressalta Gomes. Um dos aspectos que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos cientistas foi a maior vulnerabilidade nutricional observada entre mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais. \u201cEssa vulnerabilidade significa que essas mulheres podem estar mais expostas a padr\u00f5es alimentares que impactam negativamente a sa\u00fade a longo prazo. A exposi\u00e7\u00e3o a uma alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel tamb\u00e9m pode ser um indicador de maior exposi\u00e7\u00e3o a estressores sociais\u201d, aponta o pesquisador. Os autores tamb\u00e9m levantam a hip\u00f3tese de que fatores como preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social possam influenciar o comportamento alimentar. \u201cO consumo de doces, refrigerantes e \u00e1lcool pode estar associado a respostas fisiol\u00f3gicas relacionadas ao sistema l\u00edmbico e \u00e0 regula\u00e7\u00e3o da dopamina\u201d, explica Gomes. Em contextos de vulnerabilidade psicol\u00f3gica, podem ser acionados mecanismos relacionados \u00e0 busca por recompensa e regula\u00e7\u00e3o do estresse. Outro achado interessante est\u00e1 relacionado ao consumo de carne vermelha entre homens. Tradicionalmente associada a padr\u00f5es culturais de masculinidade, essa prefer\u00eancia pode variar conforme a orienta\u00e7\u00e3o sexual. A pesquisa mostra que homens gays consomem carne vermelha e feij\u00e3o com menor frequ\u00eancia do que homens heterossexuais, mas ingerem frango com maior regularidade. Os autores avaliam que os resultados trazem contribui\u00e7\u00f5es relevantes para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e estrat\u00e9gias de sa\u00fade mais inclusivas. \u201cCompreender de forma mais detalhada os padr\u00f5es de consumo \u00e9 essencial para desenvolver interven\u00e7\u00f5es nutricionais direcionadas e estrat\u00e9gias de sa\u00fade p\u00fablica capazes de reduzir essas iniquidades\u201d, afirma Gomes. O grupo de pesquisa j\u00e1 trabalha em novos desdobramentos do estudo, como an\u00e1lises sobre a rela\u00e7\u00e3o entre orienta\u00e7\u00e3o sexual e obesidade, sa\u00fade mental, viol\u00eancia e preval\u00eancia de c\u00e2ncer, al\u00e9m de estudos sobre poss\u00edveis diferen\u00e7as entre gera\u00e7\u00f5es. A pesquisa contou com apoio do Programa de Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Pesquisa da UFPB, voltado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de estudantes de gradua\u00e7\u00e3o em atividades cient\u00edficas. 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