Artigo de Roberto Costa
Coordenador do Floripa Sustentável
A emissão da Licença Ambiental de Implantação do Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte marca um momento decisivo para Florianópolis. Mais do que o início de uma obra estimada em R$ 350 milhões, trata-se da ativação de um novo ciclo urbano e econômico para a Capital.
O projeto prevê a geração de mais de 2.000 empregos diretos e indiretos, dinamizando cadeias como construção civil, serviços náuticos, gastronomia e turismo. Esse impacto não se restringe ao período de obra. Ao consolidar a chamada economia do mar, Florianópolis fortalece sua vocação natural e amplia sua base produtiva de forma coerente com sua identidade territorial.
Do ponto de vista urbano, o empreendimento representa uma requalificação estrutural da Beira-Mar Norte. A criação de áreas públicas de convivência, equipamentos esportivos, espaços de lazer e a reorganização do uso náutico reaproximam a cidade do mar e qualificam um dos seus principais cartões-postais. Trata-se de transformar paisagem em ativo urbano vivo, acessível e funcional.
Há ainda um aspecto institucional relevante. O licenciamento foi considerado um dos mais complexos já analisados no Estado, envolvendo estudos ambientais e sociais rigorosos. A obtenção das licenças confere segurança jurídica, previsibilidade e credibilidade ao processo, elementos essenciais para qualquer estratégia de desenvolvimento sustentável.
Naturalmente, os benefícios projetados dependem da execução responsável, do cumprimento das condicionantes ambientais e da integração com políticas de mobilidade e planejamento urbano. O risco não está no crescimento, mas na ausência de coordenação e visão de longo prazo.
Florianópolis vive um momento em que precisa decidir se continuará crescendo de forma reativa ou se adotará projetos estruturantes capazes de organizar seu território e potencializar sua vocação marítima. O Parque e Marina da Beira-Mar pode representar exatamente isso: um passo concreto para conciliar desenvolvimento econômico, qualificação urbana e sustentabilidade.
Se bem conduzido, não será apenas mais uma obra. Será um marco de reconexão da cidade com o mar — e com o próprio futuro.
(ND, 28/02/2026)
Publicado em 02 março de 2026
fonte https://floripamanha.org/2026/03/parque-e-marina-mais-que-uma-obra-vetor-de-futuro/
