Após 20 anos, roubo de obras de Monet, Picasso e Dalí prescreve no Rio

Sexta-feira de Carnaval, 24 de fevereiro de 2006. Enquanto as ladeiras sinuosas de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, são tomadas por sons de marchinhas e sambas tradicionais, um grupo de homens carrega nos braços quadros de Claude Monet, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Henri Matisse. Era dia de apresentação do Bloco das Carmelitas, mas a cena não fazia parte da festa. Ali, em meio à uma multidão de foliões, acontecia aquele que é considerado um dos maiores roubos de obras de arte do Brasil e um dos dez maiores do mundo, segundo o FBI – principal departamento de investigação dos Estados Unidos. “Eu estava lá no dia. Os policiais tentavam passar pelo bloco e não conseguiam, porque a gente jogava latinha neles. Ninguém tinha ideia do que estava acontecendo. A gente pensava que era algo acontecendo dentro do próprio Carmelitas, como furto ou outra confusão”, lembra o produtor Daniel Furiati. Os criminosos pularam os muros do Museu da Chácara do Céu e sumiram pelas ruas do bairro com cinco peças. Juntas, elas valiam mais de US$ 10 milhões na época (R$ 52 milhões, na conversão atual). As obras e os assaltantes jamais foram encontrados. Passados 20 anos, o crime prescreve oficialmente nesta semana e os responsáveis pelo roubo não poderão mais ser punidos. Suspeitos Nesse tempo todo, três nomes figuraram na lista de suspeitos principais do crime. A primeira linha de investigação envolveu Paulo Gessé, dono de uma kombi branca, em que pelo menos uma das obras de arte teria sido transportada. A polícia suspeitava que ele fosse cúmplice de outros quatro assaltantes. A delegada responsável pelo caso grampeou o celular do motorista, mas não conseguiu que as ligações fossem gravadas no banco de dados da corporação. Ela decidiu, então, registrar tudo manualmente. Gessé chegou a ter a residência vasculhada e a ser preso por alguns dias. A Justiça, porém, entendeu que não havia nada de concreto para torná-lo réu e determinou que ele fosse solto. Denúncias anônimas adicionaram mais dois homens à lista. Michel Cohen, negociador francês de pinturas, acusado nos Estados Unidos de obter US$ 50 milhões em operações fraudulentas. Em maio de 2003, portanto antes do crime, Cohen foi preso pela Interpol no Rio de Janeiro, mas conseguiu fugir em dezembro do mesmo ano. A suspeita é de que ele também estivesse envolvido no caso da Chácara do Céu em 2006. O francês permaneceu com paradeiro desconhecido por dezesseis anos e só foi reaparecer publicamente quando aceitou fazer parte do documentário O Golpe de Arte de 50 Milhões de Dólares, exibido em 2019 pela BBC. As últimas informações disponíveis dão conta de que continue escondido da Interpol. Outro francês, o artesão radicado no Brasil Patrice Rouge também foi incluído como suspeito. Dois endereços atribuídos a ele no Rio de Janeiro foram alvo de diligências policiais. As residências, no entanto, estavam vazias e os agentes nunca mais voltaram. Entrevista exclusiva Ele nunca prestou depoimento à Polícia Federal, tampouco se manifestou publicamente sobre a denúncia, até hoje. Vinte anos depois, Patrice Rouge decidiu falar pela primeira vez. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, negou qualquer participação no roubo. Ele atendeu a reportagem por telefone, direto de sua residência atual em Avignon, cidade histórica da região da Provence, no Sudeste da França. “Essa história toda é completamente absurda. Uma pessoa faz uma denúncia anônima e o meu nome é jogado no meio de tudo isso”, reclama Rouge. “Eu estava na França quando ouvi falar desse roubo pela primeira vez. O meu advogado me ligou e disse que eu estava sendo acusado. Imagina a minha cara? Eu perdi o chão. Isso me prejudicou muito”, relata. Rouge conta que veio parar no Brasil em 1974, durante um passeio de volta ao mundo com amigos. Conheceu um homem que o apresentou ao mercado de joias antigas. Ele, então, decidiu ficar no país, para decepção dos amigos, que seguiram viagem. Depois, chegou a trabalhar com restauração de peças de antiguidade. Nesse período, era proprietário de uma casa em Santa Tereza, bem próxima ao Museu da Chácara do Céu. Esse fato, na época das investigações, aumentaram as suspeitas. Ele, no entanto, garante que nunca sequer entrou no museu. Rouge conta que voltou, definitivamente, para a França no ano de 2005, mas que retornou com frequência ao Brasil, nesses últimos 20 anos, para visitar a filha e o neto, que vivem no Rio de Janeiro. Ele está prestes a completar 77 anos. “Se eu fosse uma pessoa culpada, por que faria isso? Se uma pessoa tivesse culpa no cartório, como se diz no Brasil, faria tudo para se esconder. A última vez que estive no Rio foi em 2025. Fui na Polícia Federal, no aeroporto do Galeão. Pedi uma lista das minhas entradas no Brasil para ter esse documento comigo”, diz Rouge. “Quando um criminoso é procurado pela Interpol, ele vai ser caçado em qualquer lugar do mundo. Eu nunca tive problemas com a Justiça, seja na França, seja no Brasil”, complementa. Arte do descaso Em 2011, a jornalista Cristina Tardáguila decidiu investigar o caso. As informações que reuniu viraram livro: A Arte do Descaso, publicado em 2015. O título resume a principal conclusão da autora: de que houve um desinteresse institucional generalizado em solucionar o crime. “Houve descaso da diretoria do museu à época, descaso do governo federal, do Ministério da Cultura, da polícia e da mídia que se esqueceu de acompanhar o assunto”, critica a jornalista. “Nesse período todo de pesquisa para o livro, não encontrei ninguém efetivamente engajado. É uma falência da proteção dos bens culturais do Brasil.” No livro, a jornalista descreve uma sequência de erros e negligências. Ela conta que a primeira patrulha da Polícia Militar só conseguiu chegar ao museu meia hora depois do roubo, tempo de reação três vezes superior à média registrada na Europa. Quando a PF chegou ao local, pelo menos trinta pessoas haviam circulado pelo museu, sem o cuidado de preservar eventuais provas. A PF emitiu um comunicado para as equipes localizadas nos principais portos e aeroportos do Rio de Janeiro e de São Paulo. O
Equilíbrio de Nash e Pegada Hídrica revelam riscos ocultos da gestão de recursos naturais

A correlação entre esses três conceitos situa-se na Gestão Sustentável de Recursos naturais: o Equilíbrio de Nash explica por que as empresas, comunidades ou países tomam decisões (egoístas ou cooperativas), a Pegada hídrica de Hoekstra mede o impacto hídrico (verde, azul, cinza) dessas decisões, e o IPAI de Aleixo (índice de pegadas ambientais integradas) avalia se esse conjunto de ações é sustentável no longo prazo, integrando o hídrico com outros impactos. Aqui as principais conexões: 1. Pegada Hídrica (Hoekstra, 2002) e Gestão Sustentável Definição: Desenvolvida por Arjen Hoekstra, a Pegada hídrica (PH) é um indicador que mede o volume total de água doce utilizado para produzir bens e serviços consumidos por um indivíduo, comunidade ou empresa. Três Tipos: Considere a água verde (precipitação), azul (superfície/subterrânea) e cinza (poluição). Conexão: fornece uma base de dados quantitativos (o “quanto” e “onde” a água é usada) necessária para estratégias de gestão e redução de impacto. 2. Equilíbrio de Nash (Nash, 1950) e Gestão de Conflitos Hídricos Teoria dos Jogos: O Equilíbrio de Nash é uma situação em que, em um “jogo” (como a disputa por água), nenhum jogador (usuário/país) ganha ao mudar sua estratégia unilateralmente, visto que os outros também não mudam. A “Tragédia dos Comuns”: Sem cooperação, o excesso do uso de água individual por uma pessoa, leva a um cenário de insustentabilidade (alto custo hídrico), que é o Equilíbrio de Nash indesejado. Conexão com a Pegada Hídrica: As pegadas hídricas de diferentes atores (agricultura, indústria, cidades, países, continentes) na mesma bacia hidrográfica são usadas como variáveis para encontrar um “Equilíbrio de Nash Cooperativo”, onde a soma das pegadas hídricas é minimizada ou eficiência maximizada, variando o grau entre “Sustentável” e “Insustentável” de acordo com cada processo de produção de bens e e/ou serviços. 3. Metodologia IPAI (Índice de Pegadas Ambientais Integradas) de Aleixo Conceito: O IPAI desenvolvido por Aleixo (2014), propõe um modelo integrado entre as Pegadas Hídrica (uso de água durante todo o processo), Ecológica (todos os recursos naturais utilizados no processo) e Carbono (emissão de gases e CO2 gerados no processo) para fornecer uma visão quântica, sistêmica e multidisciplinar da sustentabilidade. Conexão: Enquanto a metodologia de Hoekstra (2002) foca na água, o IPAI conecta as Pegadas Ambientais (hídrica, ecológica e carbono), essencial para analisar a relação água-energia-alimentos. Ele valida o uso da Pegada Hídrica (quantitativo de água doce e virtual que compõem bens e serviços), Pegada Ecológica (todos os recursos naturais utilizados no processo), e Pegada de Carbono (emissão de gases e CO2 no processo), dentro de uma estrutura que busca, constantemente, para alcançar maior grau de sustentabilidade. 4. Síntese das Conexões Conceito Papel Conexão Arjen Hoekstra/ Pegada Hídrica Char/Base de Dados Quantifica o uso de Água Verde (água proveniente da chuva), Azul (água proveniente da superfície/subterrânea), e Cinza (água poluída) por pessoa/ano. Equilíbrio de Nash Modelagem Estratégica Modelo de Jogo Colaborativo aonde todos os atores envolvidos são vencedores. Busca o ponto de equilíbrio de uso entre os atores. Metodologia IPAI Avaliação Integrada Integra a Pegada Hídrica com outras pegadas, permitindo uma visão holística. Cenário Prático: 1) O Exemplo da Irrigação na Agricultura (Conflito de Usos) Imagine dois agricultores (A e B) utilizando água do mesmo rio: Cenário: Ambos querem irrigar intensivamente para maximizar lucros. Equilíbrio de Nash: Se ambos maximizarem, o rio seca (o custo da água aumenta, a qualidade cai). O melhor individualmente para ambos é irrigar muito, mas o resultado final é ruim para todos. O Equilíbrio de Nash (neste caso, é uma “tragédia dos comuns”) é todos consumirem água de forma ineficiente, resultando em alta Pegada Hídrica Azul e Cinza (por contaminação). Uso da Pegada Hídrica (Hoekstra):Mapeia que o agricultor “A” produz soja com alta Pegada Cinza (agrotóxicos e fertilizantes químicos) e o “B” usa alta Pegada Azul. APAI (Aleixo): O IPAI vai reunir a Pegada Hídrica (Hoekstra) com a Pegada de Carbono do maquinário, indicando que a bacia hidrográfica está insustentável. O alto índice IPAI alerta: “Se continuarem no Equilíbrio de Nash atual, a produção vai parar por falta de recursos naturais.” 2) Exportação de Carne Bovina (Água virtual e Pegada Hídrica cinza) Um país exporta carne bovina, consumindo vastos recursos hídricos (15.500 litros de água por quilo produzido) (water footprint network). Equilíbrio de Nash: O país exportador prefere vender o máximo para ganhar divisas. O importador quer carne barata. Ninguém unilateralmente quer reduzir a produção/consumo. Pegada Hídrica de Hoekstra: Hoekstra mostra que a “Água Virtual” transferida é altíssima. A Pegada Cinza (poluição) na localidade é ignorada no custo final da carne. IPAI de Aleixo: O IPAI (índice de pegadas ambientais integradas) considera o impacto local (seca, poluição local, pegada hídrica, mudança climática) com o impacto global (emissões de gases no transporte). Ele fornece dados para que o país entenda que a “melhor estratégia individual” (exportar muito) resulta em um índice IPAI desastroso, forçado uma mudança para práticas mais sustentáveis, e aí minimizando o seu passivo ambiental. 3) Gestão de Escassez Hídrica em Cidade (reuso da água). Duas grandes indústrias em uma cidade: Cenário: Ambas precisam reduzir o consumo (pegada azul) devido à seca. Equilíbrio de Nash: Se a Indústria “A” investir em reuso e a “B” não, “A” terá maiores custos e “B” ganhará mais mercado. Logo, o equilíbrio é nenhuma indústria investir, a Pegada Hídrica permanece alta e o índice IPAI total da bacia hidrográfica piora. Solução: Quando o IPAI (Aleixo) é divulgado e apresenta grau de insustentabilidade técnica, ele altera o jogo. As empresas percebem que, se não houver cooperação (quebra do equilíbrio de Nash não-cooperativo) para reduzir a Pegada Hídrica (Hoekstra), a produção cessará. Resultado: Decidem adotar novas tecnologias (reduzindo a pegada cinza/azul), e assim, melhorando o índice IPAI. Em uma bacia hidrográfica, diferentes agricultores (jogadores) têm pegadas hídricas distintas (Hoekstra). A disputa por água cria um Equilíbrio de Nash (teoria dos jogos) de alta umidade cinza. O uso da metodologia IPAI de Aleixo (2014) pode ajudar a identificar que reduzir a pegada hídrica de um bem ou serviço específico (através do uso de novas tecnologias melhora não apenas o consumo de água, mas também minimiza o desperdício, bem
Alckmin diz que redução da jornada de trabalho é tendência mundial

O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, assinou na noite desta segunda-feira (23) um acordo de cooperação com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para promover e fortalecer as ações de combate a práticas desleais e ilegais no comércio exterior brasileiro. No evento, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, aproveitou a cerimônia de assinatura dos protocolos de intenções para pedir ao presidente em exercício que a discussão sobre o fim da escala 6×1 seja adiada para o próximo ano, principalmente por este ser um ano de eleições. Notícias relacionadas: Acabar com a escala 6×1 é prioridade do governo, afirma Boulos. Ano eleitoral não impede redução da jornada de trabalho, diz ministro. “A gente precisa que essa discussão vá para 2027. Nós estamos abertos sempre a debater tudo. Só que em ano eleitoral as emoções, os sentimentos, as motivações, muitas vezes se conflituam com os interesses do país”, disse Skaf. Em resposta, Alckmin defendeu a necessidade de mudanças na jornada de trabalho e destacou que isso vem acontecendo em todo o mundo. “Há uma tendência mundial de você ter uma redução. Aliás, isso já vem acontecendo. Então, esse é um debate que não deve fazer corridas e deve ser aprofundado, já que você tem situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo. Mas isso é uma tendência”, declarou o presidente em exercício. Defesa comercial Ao lado do presidente da Fiesp, Alckmin assinou dois documentos: um protocolo de intenções sobre defesa comercial e outro sobre ambiente regulatório e que pretende combater a burocratização e promover a competitividade. “A cooperação com o setor produtivo na defesa comercial vai contribuir para fortalecer o comércio justo e promover um ambiente concorrencial mais equilibrado”, defendeu Alckmin. Segundo a Fiesp, o protocolo sobre defesa comercial tem por objeto estabelecer bases para a cooperação institucional entre o ministério e a Fiesp, com vistas à promoção do comércio justo e ao adequado uso pelo Brasil dos instrumentos de defesa comercial e de combate a práticas desleais e ilegais de comércio previstos na legislação nacional e internacional. Uma das ações previstas é a criação de uma calculadora de margem de dumping, além do compartilhamento de experiências e ferramentas técnicas. O segundo protocolo trata mais especificamente sobre ambiente regulatório e tem por objetivo estabelecer bases para a cooperação institucional entre o ministério e a Fiesp, buscando promover a desburocratização, fortalecer e promover a competitividade e a qualidade regulatória no país, reduzir custos regulatórios e administrativos para empresas e sociedade e desenvolver ações para que reduzam barreiras e custos sistêmicos para empreender e investir no Brasil. Nessa proposta está prevista, por exemplo, a ampliação da digitalização dos serviços públicos e integração dos sistemas. “Nós vamos tomar uma medida hoje formal, objetivando avançarmos e termos no Brasil, realmente, uma defesa comercial eficiente, para que a gente não possa permitir que os nossos setores e os nossos empregos sejam atacados de uma forma injusta”, disse Skaf na cerimônia de assinatura, que ocorreu durante a reunião da diretoria da Fiesp. Geraldo Alckmin, ao lado do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, durante cerimônia de assinatura de Acordo Antiduping. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil Selic Em fala à diretoria da entidade, Alckmin disse ainda estar confiante que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece, já em sua próxima reunião agendada para março, a reduzir a taxa básica de juros (Selic), atualmente estabelecida em 15% ao ano. “Estamos confiantes de que na próxima reunião do Copom comece a redução da taxa de juros”, disse ele. Segundo o presidente em exercício, isso deve ocorrer por causa da apreciação do real e da desinflação dos alimentos. “Nós devemos ter aí uma melhora”, acrescentou Alckmin, sobre sua expectativa de melhora na economia com a tendência de redução da taxa de juros. Taxação Aos empresários e industriais presentes à reunião da Fiesp, Alckmin voltou a falar hoje que considera positiva para o Brasil a nova tarifa global de 15% que foi estabelecida nesta semana pelo governo dos Estados Unidos. A medida, que foi anunciada por Trump como uma resposta à decisão da Suprema Corte de derrubar as tarifas sobre produtos importados que haviam sido impostas globalmente por ele no ano passado, foi aplicada a todos os países e representa uma mudança em relação às tarifas anteriores, que variavam por nação. “O país mais beneficiado no mundo [com essa decisão] foi o Brasil”, disse Alckmin, reforçando que o problema maior era quando os Estados Unidos haviam taxado apenas o Brasil. “O problema dos 10% + 40% [de taxas] era um problemão [para o Brasil]. Mas essa decisão de 15% não tem problema porque são 15% para nós e para o mundo inteiro. Agora, o país mais beneficiado no mundo foi o Brasil. Abre aí uma avenida em termos de voltar a ter um comércio exterior importante com os Estados Unidos”, afirmou. Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/alckmin-diz-que-reducao-da-jornada-de-trabalho-e-tendencia-mundial
Ariane Ferreira: a cientista catarinense que voou pelo Brasil e pousou na Caatinga

Na Reserva Natural Serra das Almas, no coração da Caatinga, na divisa entre Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI), o dia começa cedo. Antes mesmo de o sol se firmar no céu, os bandos de periquitos cara-suja já dão os primeiros sinais de movimento: deixam os ninhos, iniciam os voos e seguem em busca de alimento. É nesse horário, quando a paisagem ainda está silenciosa, que olhos atentos registram comportamentos, rotas e interações das aves. Trata-se do olhar de Ariane Ferreira, bióloga e analista de projetos socioambientais da Associação Caatinga, que há cerca de sete meses acompanha, de perto, o projeto de reintrodução do periquito cara-suja na Serra das Almas, unidade de conservação de 6.285 hectares gerida pela instituição. Espécie símbolo da conservação no Ceará, o periquito cara-suja voltou a ser registrado na Serra das Almas após mais de 114 anos sem presença confirmada na região. Desde a primeira soltura, realizada em dezembro de 2024, dezenas de indivíduos já sobrevoam a área, resultado de um projeto que exige monitoramento contínuo e atenção permanente aos detalhes do território. O trabalho de Ariane envolve observar a interação entre as aves, identificar áreas de uso, compreender rotinas de alimentação e padrões de deslocamento. Entretanto, o protagonismo é compartilhado, a bióloga faz questão de ressaltar que esse acompanhamento não é feito de forma individual. O monitoramento dos bandos é realizado em conjunto com a equipe de guarda-parques da Serra das Almas, profissionais que conhecem profundamente o território e atuam diariamente na coleta de informações em campo. “Esse trabalho não é solitário. A gente constrói esse trabalho juntos, na observação compartilhada e no acompanhamento dos cara-suja”, explica. Acervo Pessoal Uma catarinense na Caatinga A relação de Ariane com a Caatinga, no entanto, é relativamente recente. Natural de São José, município da região metropolitana de Florianópolis (SC), ela cresceu tendo contato com a natureza e desenvolveu, desde cedo, o interesse pelos animais. “Eu sempre gostei muito de bicho. Queria cuidar, proteger, mesmo sem saber exatamente como isso viraria uma profissão”, lembra. Nesse percurso, duas mulheres tiveram papel fundamental. A tia Cláudia, que, ainda quando Ariane tinha 12 anos de idade, já a incentivava a ser bióloga, enxergando ali um caminho possível para a sobrinha. E a professora Renata, do cursinho pré-vestibular, cuja forma de ensinar Biologia abriu novas possibilidades. “A maneira como ela falava da Biologia me fez perceber que aquilo podia ser mais do que matéria de prova, podia ser um caminho”, conta Ariane. ”Eu sempre gostei muito de bicho. Queria cuidar, proteger, mesmo sem saber exatamente como isso viraria uma profissão. Decidida, Ariane iniciou a graduação em Biologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), enfrentando dúvidas, tentativas e mudanças de rota comuns a quem ainda está se descobrindo profissionalmente. Mas foi durante as atividades práticas da formação — em pesquisas, monitoramentos e saídas a campo — que Ariane começou, de fato, a se encontrar na profissão. A aproximação com as aves aconteceu a partir de uma atividade voluntária de apoio ao TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de uma colega de graduação, experiência que despertou, no coração de Ariane, um interesse mais profundo pela ornitologia (área da Biologia dedicada ao estudo das aves). “Foi ali, apoiando o TCC de uma colega, que eu comecei a me aproximar das aves de verdade, e aquilo me deu força para continuar a faculdade e seguir”, relembra. Ciência feita em equipe Esse caminho ganhou novos contornos quando Ariane foi convidada para trabalhar em Curaçá, na Bahia, em um projeto ligado à reintrodução da ararinha-azul, espécie que permaneceu cerca de 20 anos extinta na natureza. Além do trabalho técnico com a ave, Ariane coordenou equipes formadas por moradores da comunidade local, responsáveis por apoiar o monitoramento e a proteção da área. O trabalho em parceria com a comunidade foi uma experiência marcante para a catarinense. “O convívio com o povo nordestino, mais próximo, mais acolhedor, foi mudando meu jeito de trabalhar e de me relacionar. Aprendi muito ali”, afirma, destacando que essa troca foi essencial para sua formação profissional e, principalmente, pessoal. Depois dessa experiência, o Nordeste deixou de ser passagem. A chegada à Serra das Almas veio na sequência, já com um olhar mais atento às dinâmicas do território. Seu primeiro contato com a equipe da Associação Caatinga aconteceu em 2024 quando Ariane participou do censo do periquito cara-suja na Serra de Baturité, atividade que marcou seu primeiro contato direto com a espécie. A experiência foi decisiva para consolidar sua aproximação com o cara-suja e abrir caminho para o trabalho que hoje desenvolve na Serra das Almas. A mulher na ciência Para Ariane, a atuação de mulheres na ciência, especialmente em atividades de campo, envolve desafios específicos, como deslocamentos frequentes, longas jornadas e trabalho em áreas remotas. Ao abordar o tema, ela prefere destacar o apoio coletivo e a construção conjunta do trabalho entre mulheres. “A gente não faz ciência sozinha. É na troca, no cuidado e no trabalho em equipe que as coisas acontecem”, pontua. Quando questionada sobre o que diria a uma menina que sonha em seguir a ciência, mas sente medo, Ariane é direta: ”O medo existe, mas não pode paralisar. Converse com outras mulheres, procure apoio e não desista. É isso que faz diferença. A ciência também é um espaço nosso. Conteúdo: Associação Caatinga FOntehttps://portalbrasilcriativo.com.br/ariane-ferreira-a-cientista-catarinense-que-voou-pelo-brasil-e-pousou-na-caatinga/
Páscoa em Florianópolis terá decoração inédita
Da Coluna de Renato Igor (NSC, 22/02/2026) Florianópolis terá uma decoração inédita na Páscoa. O projeto, chamado Páscoa Floripa 2026 – Tempo de Renovação estará em pontos turísticos e espaços públicos, como na Praça XV, Largo da Alfândega e Lago das Bandeiras. A decoração contempla coelhinhos, ovos de páscoa, Menino Jesus, cenouras, flores, doces e muito mais. Além disso, os espaços terão diferentes brinquedos para as crianças, incluindo carrossel, casinha de ovo de páscoa e cenoura, trenzinho e escorregadores. Além da ambientação temática, a Prefeitura prepara também uma programação especial voltada ao público infantil, com atividades lúdicas que envolvem as crianças e suas famílias. Estão previstas ações recreativas, intervenções artísticas e experiências interativas para estimular a imaginação e transformar os espaços públicos em locais de convivência, aprendizado e diversão. A iniciativa integra arte, cenografia e iluminação cênica. Os pontos turísticos contemplados receberão intervenções cenográficas e iluminação especial, pensadas para criar conexão com o público e estimular a contemplação. Publicado em 23 fevereiro de 2026 fonte https://floripamanha.org/2026/02/pascoa-em-florianopolis-tera-decoracao-inedita/
Dólar fecha em R$ 5,16 e atinge menor valor em 20 meses

Em meio à cautela dos investidores com a política tarifária do presidente Donald Trump, o dólar voltou a cair e a fechar no menor valor em 20 meses. A bolsa de valores iniciou o dia em alta, mas reverteu a trajetória e caiu, influenciada pelo mercado externo. O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (23) vendido a R$ 5,169, com recuo de R$ 0,007 (-0,14%). A cotação começou a sessão em alta, chagando a R$ 5,19 pouco antes das 9h30, mas recuou ainda no fim da manhã, em linha com o mercado internacional. Notícias relacionadas: Justiça libera R$ 1,4 bilhão do INSS; veja quem recebe. Unesco: IA pode levar indústria musical a perder até 24% de receitas . Feirão reúne em SP empresas para negociação de dívidas de consumidores. A moeda estadunidense está no menor valor desde 28 de maio de 2024, quando estava em R$ 5,15. A divisa acumula queda de 1,51% em fevereiro e de 5,83% em 2025. O mercado de ações teve um dia mais volátil. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 188.853 pontos, com recuo de 0,88%. O indicador chegou a subir 0,23% às 11h57, mas passou a cair à tarde, puxado por ações de bancos e em linha com as bolsas de Nova York. As incertezas em torno da imposição de tarifas pelo presidente Donald Trump provocaram oscilações no mercado. O dólar começou o dia em alta, com importadores aproveitando a cotação barata da sexta-feira (20) para comprar moeda, mas a movimentação inverteu-se com a abertura do mercado estadunidense e a enxurrada de capitais para países emergentes, como o Brasil. Em relação à bolsa, houve um movimento de realização de lucros, principalmente em ações de bancos, após o recorde de sexta-feira. Paralelamente, a correção nas bolsas dos Estados Unidos nesta segunda influenciou o mercado de ações em todo o planeta. A exceção foram as ações de petroleiras, que subiram influenciadas pelo aumento na cotação internacional do petróleo, em meio ao acirramento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Trump voltou a ameaçar o país asiático com uma ação militar de maior escala. * com informações da Reuters Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/dolar-fecha-em-r-516-e-atinge-menor-valor-em-20-meses
Creme com Cannabis reduz inflamação e acelera cicatrização em cadela com dermatite

Creme à base de Cannabis reduz dor, processo inflamatório e acelera a cicatrização de lesões cutâneas em animal, segundo relato de caso analisado pela Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O resultado, segundo artigo publicado no periódico Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, demonstra uma alternativa inovadora na prática veterinária e com potencial para ser estendida a outras espécies. A aplicação tópica de creme à base de Cannabis se deu em uma cadela de nove anos de idade, atendida no Hospital Veterinário Universitário da Universidade Federal de Santa Maria, que apresentava coceira no abdômen, lesões cutâneas, além da queda dos pelos na região afetada. Após receber o tratamento da pomada à base de canabidiol (CBD) uma vez por dia, durante sete dias, foi constatada a eficácia do tratamento à base de fitocanabinoides para um certo tipo de dermatite. O artigo informa que, no Brasil, ainda não existem produtos destinados ao tratamento veterinário, mas que tanto a aplicação de óleo de Cannabis, quanto o creme com CBD são alternativas, pelo menos até que produtos à base de fitocanabinoides se tornem disponíveis no mercado. A pesquisadora e uma das autoras do artigo Carollina Mariga entende que a burocracia envolvendo os estudos da Cannabis para uso medicinal no Brasil é um desafio. Só recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou as regras para produção da Cannabis medicinal. Mariga destaca ainda que embora a análise em questão seja apenas um relato de caso com limitações – como o curto período de observação e ausência de um grupo controle — o resultado positivo pode servir de base para o desenvolvimento de estudos clínicos mais robustos. Testes clínicos são estudos planejados para avaliar se um tratamento é seguro e funciona de fato, em condições controladas, com diversos indivíduos. Em geral, compara-se o produto a alternativas, como placebo ou tratamento padrão. “No contexto brasileiro, a burocracia associada à pesquisa com Cannabis ainda é uma das principais barreiras ao avanço científico, tecnológico e econômico. Estudos como este contribuem para a quebra de tabus, fortalecem o embasamento científico e podem, a longo prazo, influenciar tanto a formulação de novas linhas de pesquisa”, diz. Agência Bori FOntehttps://portalbrasilcriativo.com.br/creme-com-cannabis-reduz-inflamacao-e-acelera-cicatrizacao-em-cadela-com-dermatite/
Centro Leste de Florianópolis mostra maturidade e dá exemplo que deveria ser seguido
Da Coluna de Renato Igor (NSC, 21/02/2026) O Centro Leste de Florianópolis está consolidado, de forma orgânica, como um espaço de lazer, cultura e gastronomia. E, após muita polêmica envolvendo prefeitura, polícia e moradores, passa a dar um exemplo de maturidade ao buscar a boa convivência por meio do diálogo. Isso não significa que a harmonia seja perfeita. No entanto, há um esforço constante pela construção de convergências por meio da conversa permanente. A cada 15 dias, por exemplo, representantes do Núcleo do Centro Histórico (CDL), da Associação de Bares e Entretenimento do Centro Leste (Bencel) e da Associação de Moradores se reúnem para discutir a relação entre as partes. Fácil não é — o morador tem direito ao descanso, a lei do silêncio precisa ser respeitada, o empreendedor quer vender seus serviços e os frequentadores querem se divertir. Ainda assim, a busca por entendimento precisa ser enaltecida. Houve avanço em dois pontos importantes: – Nas quintas-feiras, os estabelecimentos passaram a ter funcionamento permitido até as 2h da madrugada, no mesmo patamar de sexta-feira e sábado.– Desde dezembro, teve início um experimento para liberação de mesas e cadeiras nas calçadas: às sextas-feiras, entre 19h e 0h; e aos sábados, entre 16h e 0h. No fim de fevereiro, será feita uma nova avaliação para medir os impactos dessas ações na rotina do bairro. A coluna recebeu uma mensagem da moradora do Centro Leste, Vânia Reina:“Você não mora no ‘Centro Leste’, por isso não sabe o que é morar neste local, pois a falta de respeito para com os moradores ultrapassa todos os limites. É impossível dormir, assistir televisão ou ler um livro — coisas básicas que pessoas normais fazem.” Respeito, de verdade, o desconforto vivido pela dona Vânia. Minha sugestão é que ela participe da próxima reunião e apresente seu ponto de vista, que é importante e necessário. Esse é o caminho. Não é fácil, mas é o único possível: o diálogo permanente para permitir a revitalização daquele espaço, com atividade econômica, lazer e respeito aos moradores. Publicado em 23 fevereiro de 2026 fonte https://floripamanha.org/2026/02/centro-leste-de-florianopolis-mostra-maturidade-e-da-exemplo-que-deveria-ser-seguido/
Unesco: IA pode levar indústria musical a perder até 24% de receitas

O relatório Re|thinking Policies for Creativity (Repensando as Políticas para a Criatividade) da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) sobre o futuro das políticas de criatividade estima que haverá quedas significativas de receitas para criadores de música e de audiovisual até 2028, em decorrência do aumento de produção de conteúdos por inteligência artificial (IA). O levantamento foi feito com base em dados coletados em mais de 120 países. De acordo com a Unesco, além de representar uma ameaça à liberdade artística, o quadro apurado afetará também o financiamento público, contribuindo para fragilizar as indústrias culturais e criativas. Notícias relacionadas: Dezenove estados e DF têm em 2025 o menor desemprego já registrado. Segundo o relatório, as receitas digitais passaram a representar 35% do rendimento dos criadores, contra 17% registrados em 2018, o que reflete uma mudança estrutural no modelo econômico das indústrias criativas. O crescimento é acompanhado de maior precariedade e por uma exposição mais elevada a violações de propriedade intelectual. Até 2028, a expansão de conteúdos produzidos por IA generativa poderá provocar perdas globais de receitas de até 24% para criadores de música e 21% para o setor audiovisual, diz o estudo. O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, destacou que o relatório levanta a necessidade de “renovar e fortalecer o apoio àqueles que estão engajados na criação artística e cultural em um contexto em que a IA e as transformações digitais estão redefinindo as indústrias criativas”. Diferenças Do total de países que responderam à pesquisa, 85% disseram incluir as indústrias culturais e criativas nos seus planos nacionais de desenvolvimento. Porém, apenas 56% definiram objetivos culturais específicos. De acordo com a Unesco, isso evidencia uma diferença entre compromissos gerais e ações concretas. A Unesco mostra que o comércio global de bens culturais atingiu US$ 254 bilhões em 2023 e que 46% das exportações têm origem em países em desenvolvimento. O que ocorre é que esses países representam pouco mais de 20% do comércio global de serviços culturais, revelando desequilíbrio crescente à medida que o mercado muda para formatos digitais. O relatório diz que o financiamento público direto para a cultura continua reduzido, abaixo de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) global, e com tendência de queda. A transformação digital aumentou o acesso a ferramentas e audiências, mas também intensificou desigualdades e aumentou a instabilidade financeira de criadores e profissionais do setor cultural. O estudo da Unesco observa que as competências digitais essenciais estão presentes em 67% da população dos países desenvolvidos, enquanto somente 28% dos países em desenvolvimento possuem essas competências, o que reforça a divisão Norte–Sul. O documento chama ainda a atenção para a concentração de mercado em poucas plataformas de streaming e para a pouca relevância de sistemas de curadoria de conteúdos, o que dificulta a visibilidade de criadores menos conhecidos. Apenas 48% dos países afirmaram estar desenvolvendo estatísticas para acompanhar o consumo cultural digital, o que limita respostas políticas eficazes. A Unesco destaca ainda os obstáculos colocados para a mobilidade artística internacional. Os dados evidenciam que 96% dos países desenvolvidos apoiam a mobilidade artística para o exterior, mas apenas 38% facilitam a entrada de artistas provenientes de países em desenvolvimento. Na avaliação da Unesco, a assimetria restringe oportunidades e dificulta a circulação internacional de criadores, sobretudo de regiões com menos acesso a financiamento e estruturas de apoio. O relatório indica que apenas 61% dos países possuem organismos independentes para supervisionar essa área. Gêneros Em termos de igualdade de gêneros, a Unesco identificou simultaneamente avanços e disparidades significativos nas indústrias culturais e criativas. Por exemplo, a liderança feminina em instituições culturais nacionais aumentou globalmente, passando de 31% em 2017 para 46% em 2024. No que se refere à distribuição, persiste a desigualdade: enquanto as mulheres ocupam 64% de cargos de liderança em países desenvolvidos, nos países em desenvolvimento esse número cai para 30%. Muitos países insistem em posicionar as mulheres sobretudo como consumidoras de cultura e não como criadoras e líderes desse setor. O relatório de 2026 é a quarta parte da série que supervisiona a implementação da Convenção da Unesco de 2005, sobre a proteção e promoção da diversidade de expressões culturais. O documento foi publicado com apoio do governo da Suécia e da Agência Sueca para a Cooperação Internacional para o Desenvolvimento. Os estados partes na Convenção de 2005 adotaram mais de 8.100 políticas e medidas culturais para reforçar o papel das indústrias culturais e criativas no desenvolvimento sustentável. Através do Fundo Internacional para a Diversidade Cultural (FIDC), a Unesco contabiliza 164 projetos apoiados nas áreas de cinema, artes cênicas, artes visuais e artes de mídia, bem como em design, música e publicação em 76 países do sul global. Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/unesco-ia-pode-levar-industria-musical-perder-ate-24-de-receitas
Retrofit nas ruas Felipe Schmidt e Trajano integra plano de revitalização
Um projeto de retrofit para as ruas Felipe Schmidt e Trajano propõe ampliar a caminhabilidade e recuperar a vitalidade urbana do Centro Histórico de Florianópolis. Com circulação média de 412 mil pessoas por mês, a Felipe Schmidt segue como um dos principais eixos de pedestres da Capital. A proposta de transformação urbana é conduzida pela CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), que lidera oficinas e encontros estratégicos. O projeto ganha ainda mais dimensão simbólica com a proximidade dos 50 anos do calçadão da Felipe Schmidt, em 2027. A CDL projeta a data como referência para uma entrega urbana que reposicione o Centro como espaço de circulação, convivência e diversidade. Ocupação do espaço deve ser do público O projeto foi desenvolvido a partir de mapeamento técnico, escuta ativa e análise de comportamento urbano, com coordenação da especialista em placemaking Nara Schutz. O estudo foi apresentado em reunião na sede da entidade, na semana passada, com participação de diretores, comerciantes, proprietários de imóveis e representantes do poder público. Segundo Nara, a proposta busca reconfigurar o uso das ruas como espaços de convivência. “A alma desse projeto é transformar as ruas em ambientes mais acolhedores, funcionais e atrativos, onde o comércio conviva com o lazer, cultura, gastronomia e memória urbana, e estimulando a permanência do público com qualidade. Afinal, um lugar só se torna o melhor quando é bom, antes de tudo, para quem o ocupa”. A pesquisa identificou um público diverso circulando pela área, com presença de estudantes, moradores do Centro e de bairros com pouco comércio local, funcionários públicos e turistas, além de predominância de mulheres e das classes B e C. O fluxo se concentra especialmente em horários de intervalo, o que indica potencial de crescimento caso a região consiga reter as pessoas por mais tempo. Entre as estratégias apontadas estão a diversificação das operações, qualificação do mix de lojas e serviços, ampliação da oferta gastronômica com ao menos sete novos operadores de destaque, além da atração de novos residentes e consumidores. Serviços, mobilidade, acessibilidade, segurança, limpeza, manutenção, atendimento e respeito à memória do lugar aparecem como fatores centrais para garantir recorrência e vitalidade. Parceria institucional Entre as propostas discutidas está a criação de um regramento mínimo para lojistas, inspirado no conceito de “shopping a céu aberto”, com padronização de comunicação visual, marquises e sombreamento, iluminação noturna, vitrines mais atrativas, eventos recorrentes e ampliação do horário de funcionamento, especialmente nos fins de semana. A área prioritária de atuação contempla as duas últimas quadras da Felipe Schmidt até a Praça XV, além da Trajano nas quadras abaixo e acima da interseção com a Felipe. O encaminhamento prevê ações rápidas de alto impacto, mapeamento de contratos para qualificação do mix e articulação contínua com o poder público. Para o presidente da CDL de Florianópolis, Eduardo Koerich, o projeto consolida um movimento que a entidade vem fomentando há anos. “Essa lógica de funcionamento coletivo, quase como um condomínio urbano, permite alinhar interesses, somar esforços e criar um ambiente mais competitivo, seguro e atrativo para quem empreende e para quem frequenta a região”, afirma. A iniciativa conta com apoio institucional da Prefeitura de Florianópolis, que inclui a requalificação da Felipe Schmidt e de outras vias centrais entre suas prioridades. “Quando trazemos mais gente para a rua, fortalecemos a ocupação do espaço público, aumentamos a sensação de segurança e iniciamos um ciclo positivo de transformação. Por isso, a recuperação da Felipe Schmidt e das demais ruas centrais é fundamental para devolver vida ao Centro da cidade”, afirma a secretária municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Ivanna Tomasi. (ND, 23/02/2026) Publicado em 23 fevereiro de 2026 fonte https://floripamanha.org/2026/02/retrofit-nas-ruas-felipe-schmidt-e-trajano-integra-plano-de-revitalizacao/
