Com enredos que destacaram a força feminina, a espiritualidade, o trabalho e a natureza, o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, entre a noite de sexta-feira (13) e a madrugada e manhã deste sábado (14), foi marcado pelo Sambódromo do Anhembi lotado e muita festa na avenida.
A apoteose paulistana foi palco de apresentações icônicas de sete escolas — Mocidade Unida da Mooca, Colorado do Brás, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Vai-Vai e Barroca Zona Sul — que projetaram o Carnaval de São Paulo para o público nacional e internacional.
O desfile das escolas de samba do Anhembi foi organizado com o apoio da Prefeitura em diversas áreas, como segurança, saúde, mobilidade e transporte para os foliões.
A emoção falou mais alto no desfile da Acadêmicos de Tatuapé, que levou para a avenida a luta pela reforma agrária em seu enredo.
Antes mesmo das agremiações entrarem na avenida, Rosas de Ouro foi penalizada e perdeu 0,5 ponto por não ter cumprido o prazo de entrega de documentos. A atual campeã também enfrentou outro problema: um integrante da agremiação desmaiou antes de começar o desfile.
Estreante no grupo especial, a Mocidade Unida da Mooca abriu a noite de desfiles, trazendo o enredo Gèlèdés – Agbara Obinrin, uma homenagem ao Geledés – Instituto da Mulher Negra, fundado por Sueli Carneiro e outras intelectuais do movimento negro. A deputada Erika Hilton (Psol) foi destaque e subiu ao carro alegórico com uma faixa presidencial.
A Colorado do Brás apostou em “A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem na Colorado”, propondo a ressignificação da figura histórica das bruxas sob a perspectiva de mulheres perseguidas ao longo do tempo por seu conhecimento.
A Dragões da Real trouxe um enredo indígena, com “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”, inspirado nas lendárias mulheres guerreiras da Amazônia e reforçando a importância da preservação ambiental. Já a Acadêmicos do Tatuapé apresentou “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra”, abordando a história da agricultura e as lutas sociais pela terra. Campeã de 2025, a Rosas de Ouro apostou em “Escrito nas Estrelas”, com um desfile que percorre a criação do universo e o uso dos astros como guia das civilizações. O Vai-Vai homenageou os estúdios Vera Cruz e São Bernardo do Campo com “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”. Encerrando a noite, a Barroca Zona Sul desfilou “Oro Mi Maió Oxum”, homenagem à orixá das águas doces, da fertilidade e do amor, celebrando a religiosidade afro-brasileira com cores, rituais e símbolos.
Para estruturar a festa, a administração municipal investiu R$ 57 milhões na Liga Independente das Escolas de Samba, beneficiando as 32 agremiações associadas e garantindo estrutura de saúde com equipes preparadas, ambulâncias com UTIs móveis em plantão contínuo, além de reforço de segurança com Guardas Civis Metropolitanos e monitoramento por câmeras.
Neste sábado (14), as escolas voltam a brilhar na passarela do samba com:
* 22h30 – Império da Casa Verde
* 23h35 – Águia de Ouro
* 0h40 – Mocidade Alegre
* 1h45 – Gaviões da Fiel
* 2h50 – Estrela do Terceiro Milênio
* 3h55 – Tom Maior
* 5h00 – Camisa Verde e Branco
Já no domingo (15), as oito escolas que concorrem a uma vaga no Grupo Especial são:
* 21h – Camisa 12
* 22h – Unidos de Vila Maria
* 23h – Acadêmicos do Tucuruvi
* 0h – Mancha Verde
* 1h – Nenê de Vila Matilde
* 2h – Pérola Negra
* 3h – Dom Bosco de Itaquera
* 4h – Independente Tricolor
