Um reencontro com a literatura: clubes do leitura crescem pelo país

Pontos de encontro entre apaixonados por livros, os Clubes de Leitura têm sido uma grande atração, não somente para estimular o hábito de ler, mas para aproximar pessoas, incentivar a reflexão e ajudar os leitores a descobrir novos autores.  De acordo com a Câmara Brasileira do Livro, os clubes tiveram um crescimento de 35% nas duas últimas décadas, na contramão do esvaziamento de muitas livrarias, da redução na venda de livros e da perda de leitores. No Centro Cultural Banco do Brasil, o projeto existe há cinco anos, de forma gratuita. Além das leituras e discussões em grupo, a iniciativa conta com encontros de autores com os frequentadores. A pedagoga Lila Maia é uma dessas pessoas. Ela fala sobre a importância do projeto em sua vida. “Eu participo do clube de leitura desde que começou. Eu sou fã dessas iniciativas voltadas para as artes. Esse evento do CCBB não pode terminar. Ele te abre portas no sentido de você conhecer mais. É muito bom quando você vai no evento e você diz para si mesmo: puxa, como eu aprendi mais”. A curadora e mediadora do clube, Suzana Vargas, explica como funciona o projeto. “Os encontros do Clube de Leitura do CCBB são mensais. O clube funciona regularmente, né, de março a dezembro com 2 horas de duração. Nós temos 10 meses, com 10 e até 15 autores participando”. Suzana Vargas comenta sobre como o projeto tem contribuído para despertar o hábito de leitura nos participantes.   “Os retornos são muito bonitos, que me dão, no caso, né, muita alegria, porque as pessoas vêm conversar comigo sobre o reencontro com a literatura. Que, muitas vezes, elas veem no clube, né, nessas reuniões, né, uma forma de reencontrar os sentidos da literatura”. Os clubes de leitura on-line também registraram crescimento, especialmente a partir do período da pandemia. Com maior flexibilidade, eles têm sido uma importante ferramenta para conversas sobre literatura entre pessoas de todo o país. Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/cultura/audio/2026-02/um-reencontro-com-literatura-clubes-do-leitura-crescem-pelo-pais

Rio 461 anos: a história da cidade contada pela música que dela nasceu

Das notas de Gilberto Gil que abraçaram a cidade de belezas mil, passando pela Garota de Ipanema e a Estrela de Madureira, o Rio de Janeiro completa 461 anos neste domingo, cravada entre mares e montanhas. E nada melhor do que contar a história da cidade por meio da música. Afinal, ela é berço de muitos gêneros e de múltiplas raízes. Te convidamos a fazer um passeio no tempo e entender melhor a “Cidade Maravilhosa”, através das notas e movimentos musicais. Cidade Maravilhosa Fundada em 1º de março de 1565 pelo capitão português Estácio de Sá, e batizada como São Sebastião do Rio de Janeiro, a história da cidade começa muito antes da chegada dos lusitanos.  O historiador Rafael Mattoso conta que o Rio possui heranças culturais dos povos originários, principalmente os tupinambás – que predominavam na região durante o início do período colonial. “Taí os topônimos da cidade, que não mentem. A gente diz que quem nasce dela é karióka. Karióka vem de Carijós oka, ou seja, casa dos Carijós [indígenas]. Esse lugar que é cercado pela Guaná-pará, pelo encontro das águas. Só que ela começa a ganha essa importância, essa notoriedade de fato, a partir de 1501, das primeiras expedições, que vieram reconhecer o paraíso que existia no mundo atlântico”. A partir das primeiras expedições é que um imaginário foi sendo construído. “Os portugueses, na segunda expedição, em 1503, com Gonçalo Coelho e Américo Vespúcio, ao chegar no Rio de Janeiro, eles já avistavam a beleza dessa praça. Não à toa que o próprio Américo Vespúcio disse que, se existia um paraíso na terra, esse paraíso estava aqui, ou muito próximo dele. Então existe desde o começo essa visão idílica do paraíso, dessa maravilha”. Séculos mais tarde, o navegador e explorador Américo Vespúcio inspirou a criação de um outro nome para a cidade: Cidade Maravilhosa. A clássica marchinha de Carnaval composta por André Filho em 1934 se apropria do termo “Cidade Maravilhosa”, até então sem autoria definida. A música rapidamente se tornou um grande sucesso. Tanto que, em 1960, foi instituída como hino oficial do Rio. Fato é que as músicas ajudaram na consolidação desse termo que posteriormente serviria de cartão postal da cidade mundo afora. Samba e bossa nova E o Rio seguiu fazendo história através da música e levou para além de suas fronteiras o ritmo que virou uma marca carioca: a bossa nova.   Estátua em homenagem ao cantor e compositor Tom Jobim na orla da Praia de Ipanema – Tomaz Silva/Agência Brasil Das melodias de Tom Jobim aos poemas cantados de Vinicius de Moraes, a bossa nova foi um dos estilos que consolidaram a imagem de um Rio praiano, boêmio e romântico, enquadrado na ideia de beleza. Rafael Mattoso explica que, como capital do Brasil ao longo de quase 200 anos, o Rio virou palco de uma efervescência cultural que abriu brecha para que outros setores da sociedade expusessem as contradições da visão romantizada. O Rio era mais do que só a zona sul. “Em função dessa importância, a própria história musical já registra, ao longo de toda a sua existência, o protagonismo carioca. Desde as primeiras gravações musicais, até por volta de 1904, por exemplo, o primeiro grande registro da história do samba. Foi em novembro de 1916, numa festa da Penha, que o Donga apresentou pela primeira vez a música Pelo Telefone. Ela já trazia a ideia de que o Rio de Janeiro era essa cidade de contradições”.   Manuscrito de Pelo Telephone, de Donga, integra o acervo da Biblioteca Nacional. – Acervo da Biblioteca Nacional. A partir de então, temos uma disputa para saber qual gênero retrata verdadeiramente a tal “Cidade Maravilhosa”. Berço de um patrimônio cultural brasileiro, o Rio tomou para si a autoria do samba. Surgido a partir da influência de diversos povos, principalmente os africanos escravizados, o gênero se manteve como ato de resistência ao passado escravocrata. Versos do compositor Luiz Carlos da Vila, “Poesia guardiã da mais alta bandeira” coloca o samba num patamar elevado e traz à cena o cotidiano do subúrbio – verdadeiro coração da cidade – e expõe a luta desse gênero por espaço na cena da cultura carioca. Surge o funk Não demorou muito para que o estilo também influenciasse outros gêneros que retratam a vida de boa parte da população, principalmente o funk. Entoado por Cidinho e Doca, o clássico “Eu só quero é ser feliz” se transformou em grito de denúncia das desigualdades sociais, ao falar da negligência estatal perante os povos das favelas e periferias. E virou a cara do Rio.   Rio de Janeiro (RJ), 29/09/2023 – Exposição “FUNK: Um grito de ousadia e liberdade”, no Museu de Arte do Rio (MAR), região portuária da cidade. – Tânia Rêgo/Agência Brasil O ponto principal é que essas múltiplas visões e encontros culturais na mesma cidade são justamente o que a tornam “Maravilhosa”. E, segundo Rafael Mattoso, criam a noção de identidade carioca. “A cara do Rio de Janeiro pode ser muito bem representada por essa nossa musicalidade. O Rio de Janeiro foi o inventário da inventividade do povo brasileiro. Aqui se concentrou um caldeirão cultural de culturas diaspóricas muito fortes. Que é fruto dessa inventividade, de uma cultura de resistência usada para lutar contra mecanismos formais. O Rio de Janeiro é a cidade que deu origem a uma série de patrimônios musicais fundamentais”. Exemplo dessa mistura, a música Rio 40º, da cantora Fernanda Abreu, fala das diferentes facetas da cidade – que une o melhor e o pior do Brasil em um purgatório da beleza e do caos: “capital do sangue quente do melhor e do pior do Brasil”. Todas essas faces transformam o 1º de março em oportunidade para lembrar as diferenças e semelhanças que nos fazem pertencer a um local. Independente da origem, seja do alto dos morros, subúrbio ou no asfalto, cariocas se banham nas lindas praias de Iemanjá e se unem sob os braços abertos do Cristo Redentor para fazer uma só prece com a esperança de um futuro melhor para todos.  

Revisão em taxas de importação de eletrônicos mantém preço sem aumento

Revisão em taxas de importação de eletrônicos mantém preço sem aumento

O governo federal decidiu revisar as tarifas de importação de smartphones e de produtos eletroeletrônicos. A medida foi aprovada nesta sexta-feira (27) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex). O impacto da decisão sobre os preços ao consumidor é “praticamente nulo”, estimado em um aumento de 0,062%. Notícias relacionadas: Governo prepara plano para socorrer setores afetados por tarifaço. BNDES vai destinar mais R$ 70 bi para o programa Nova Indústria Brasil. Contas de luz seguem com bandeira tarifária verde em março. O cálculo é de Uallace Moreira Lima, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que acompanhou o vice-presidente Geraldo Alckmin em agenda neste sábado, em São Paulo. Segundo ele, a produção de celulares no país já é majoritariamente nacional: cerca de 95% dos aparelhos comprados pelos brasileiros são fabricados no Brasil. Por isso, as mudanças têm impacto tão baixo para o consumidor. 28/02/2026 – Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira Lima. Foto: MDIC/Divulgação O que mudou? A decisão do governo envolve um conjunto de 120 produtos. Desse total: – 105 itens tiveram o imposto de importação zerado; – 15 produtos continuaram nos percentuais anteriores. Entre eles, notebooks, smartphones, roteadores, impressoras em braile e mesas digitalizadoras. Esses 15 itens, segundo o secretário, seriam reajustados para 16% ou 20%, ou passariam de 12% para 16%, por possuírem similares produzidos no país. Com a revisão, foram mantidas as alíquotas anteriores, como 10% ou 16%. Na prática, a medida aprovada na sexta-feira mantém as condições anteriores para esses produtos e amplia a lista de itens com tarifa zerada. Custos baixos Segundo Uallace Moreira Lima, o objetivo central da decisão é defender a cadeia produtiva nacional e, ao mesmo tempo, manter baixos os custos de produção. O secretário explicou que foi mantido o regime de ex-tarifário, que reduz praticamente a zero o imposto de importação para determinados bens. “A lógica é garantir que as empresas continuem tendo acesso a insumos e equipamentos com menor custo, sem prejudicar a indústria nacional.” A concessão de ex-tarifário, quando for solicitada pela indústria, será dada automaticamente, antes da análise de 150 dias para averiguar se o item tem produção nacional.  Para o governo, a calibragem das tarifas permite proteger a produção, o emprego e a renda, sem gerar aumento de preços para a população. Diálogo De acordo com o secretário, parte das críticas e da repercussão negativa iniciais ocorreu por uma “falta de leitura atenta” das resoluções que regulamentaram a mudança. Ele ressaltou que ficou acordado com o setor que todos os produtos que estavam com alíquota zero e passariam para 7% poderiam ter o benefício restabelecido imediatamente, mediante pedido das empresas. “Esse compromisso está sendo cumprido pelo governo”, destacou Uallace. Para ele, à medida que o setor produtivo passa a compreender os detalhes da decisão, fica claro que a política foi formulada de forma criteriosa, preservando o incentivo à importação de insumos e, ao mesmo tempo, protegendo a produção nacional. Como funciona Pelas regras estabelecidas, as empresas que tiveram a alíquota elevada de 0% para 7% podem apresentar um pedido de revisão. A partir disso, o governo passa a analisar se o produto possui ou não similar nacional. Se não houver produto equivalente fabricado no país, a alíquota permanece em 0%; Se, ao final da análise, for constatado que há similar nacional, a tarifa volta para 7%. O mesmo procedimento vale para novos investimentos. Caso uma empresa pretenda importar uma máquina ou equipamento que ainda não tenha o benefício da tarifa zero, poderá solicitar o enquadramento no ex-tarifário.  O governo, então, verificará se existe produção nacional equivalente antes de conceder o benefício. Segundo o secretário, o regime continuará funcionando normalmente, reforçando o caráter técnico e dialogado da política de tarifas adotada pelo governo. * Matéria atualizada às 19h36 para ajuste de percentual impacto estimado. Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/revisao-em-taxas-de-importacao-de-eletronicos-mantem-preco-sem-aumento