Segurança e (muitos) feriados: Lituânia usa qualidade de vida para atrair profissionais brasileiros

A Lituânia está de olho nos profissionais brasileiros. Ex-república soviética, o país báltico se transformou ao longo da última década e meia em um polo relevante de startups – em trajetória semelhante à da vizinha Estônia, mais conhecida no Brasil por casos como o Skype e suas iniciativas de governo digital. Vydūnas Trapinskas, diretor de atração global de talentos do Invest Lithuania, afirma que o governo deles incluiu o Brasil entre seus mercados prioritários para recrutamento de profissionais qualificados – e passou a disputar ativamente esses talentos como forma de sustentar o crescimento do setor de tecnologia, hoje um dos principais vetores de expansão da economia do país. Os números ajudam a dimensionar esse crescimento. O ecossistema de startups da Lituânia é hoje estimado em 16 bilhões de euros, segundo a associação Unicorns Lithuania. As empresas de tecnologia do país já captaram quase 2 bilhões de euros em venture capital e, desde a pandemia, o valor combinado dessas companhias cresceu sete vezes. No mesmo período, o setor de tecnologia da informação respondeu por 18% de todo o crescimento do PIB lituano – no Brasil, para comparar, essa fatia está em 6,5%. A economia do país, suas empresas e o ecossistema de startups que se consolidou nos últimos anos serão tema de três reportagens do InvestNews, que esteve na capital Vilnius e acompanhou de perto as transformações recentes promovidas no país. Esta, sobre importação de talentos brasileiros, é a primeira da série. Limitações A Lituânia abriga hoje mais de mil startups ativas e já formou cinco unicórnios — empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão — em uma população de menos de 3 milhões de habitantes (equivalente à de Brasília). Entre elas estão a Vinted, plataforma global de revenda de roupas; a Nord Security, dona do NordVPN; e a Cast AI, especializada em otimização de infraestrutura para inteligência artificial e computação em nuvem. Esse crescimento acelerado, porém, esbarrou em um limite estrutural: a demografia. A Lituânia tem uma força de trabalho pequena, de 1,3 milhão de pessoas. Apesar de ter aumentando os investimentos em formação, a academia local não consegue formar mão de obra no ritmo que as empresas demandam. “O país chegou a um ponto em que, para continuar crescendo, precisa importar talento”, resume Trapinskas. A partir desse diagnóstico, o governo criou um modelo analítico que cruza dados econômicos, demográficos e comportamentais para identificar quais países oferecem maior potencial de recrutamento internacional. Com isso, a Lituânia estruturou uma política pública específica para atração de talentos estrangeiros, financiada pelo governo e operada por órgãos como o Invest Lithuania e o Work in Lithuania — programa dedicado a recrutar profissionais no exterior e preparar empresas locais para contratar estrangeiros. Vydūnas Trapinskas, diretor de atração global de talentos do Invest Lithuania (Divulgação) O Brasil entrou nesse radar por uma combinação de fatores: volume de profissionais formados em tecnologia, experiência em empresas globais, interesse por ganhar em euros (com a moeda europeia a mais de R$ 6) e maior disposição para considerar mudança de país. Pesquisas conduzidas pelo próprio programa também identificaram fatores subjetivos relevantes. “Muitos brasileiros relatam que conseguem bons salários trabalhando remotamente para empresas dos Estados Unidos, mas não conseguem aproveitar a própria cidade onde vivem. Segurança e qualidade de vida aparecem como fatores decisivos quando começam a considerar uma mudança real”, diz Trapinskas. Além do Brasil, os programas lituanos também buscam atrair profissionais de uma lista de países que inclui Turquia, Filipinas, Espanha, Portugal, África do Sul e Argentina. Atrativos Além da remuneração em euro, a Lituânia aposta em outros atrativos que tendem a chamar a atenção. O país figura entre os mais bem colocados no Global Peace Index, ranking internacional que mede níveis de segurança pública, e tem em média 15 feriados nacionais por ano – 50% mais que o Brasil, e o segundo maior número entre os países da União Europeia –, além de uma licença parental que pode superar dois anos. A Lituânia também aparece entre os 15 países do mundo com melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal, segundo a OCDE. Apenas 1% dos trabalhadores lituanos têm jornadas excessivamente longas, percentual bem inferior à média da organização, de 10%. No mercado de tecnologia lituano, os salários tendem a ficar acima da média geral do país. Em Vilnius, a capital e principal polo do setor, a remuneração total de engenheiros de software costuma ficar na faixa de 4 mil a 6 mil euros por mês (R$ 25 mil a R$ 37 mil), enquanto o salário médio nacional gira em torno de 2,35 mil euros (R$ 14,5 mil), segundo dados de plataformas internacionais de salários e guias de emprego. Cyber City, em Vilnius, reúne algumas das principais startups da Lituânia (Hostinger/Divulgação) Ainda assim, em grandes centros tecnológicos europeus – como Londres, Berlim e Amsterdã – desenvolvedores de software costumam receber remunerações médias mais elevadas do que na Lituânia ou na Estônia, refletindo mercados mais maduros, mas também custos de vida mais altos. Em Vilnus, os preços são equivalentes aos dos bairros nobres da cidade de São Paulo; não exatamente um paraíso, mas bem mais em conta que a Europa ocidental. Entraves Mas não é simples conseguir uma vaga na indústria de TI da Lituânia. Segundo Trapinskas, há excesso de oferta de profissionais com perfis mais generalistas. A demanda está concentrada em nichos altamente especializados, como inteligência artificial, ciência de dados, sistemas legados (como SAP) e cibersegurança avançada. “Para esses perfis mais raros, ainda há demanda real. Para os demais, o mercado ficou muito mais competitivo”, afirma. Também há uma certa resistência da empresas lituanas em contratar profissionais de fora da União Europeia — seja por desconhecimento dos trâmites migratórios, seja por insegurança quanto à integração cultural e operacional. Essa fricção ajuda a explicar por que, apesar da estratégia estruturada, o fluxo de brasileiros para o país ainda é limitado – há apenas 153 brasileiros vivendo na Lituânia hoje. Ainda assim, o fato de um país de apenas 3 milhões de habitantes ter montado uma política pública para
Em SP, TV Brasil transmite neste sábado o desfile do Grupo de Acesso 2
Em São Paulo os desfiles das escolas do Grupo de Acesso 2 começam neste sábado no Sambódromo do Anhembi , as escolas concorrem a duas vagas no Acesso 1 do carnaval de 2027. O desfile será transmitido pela TV Brasil apenas para São Paulo Das dez escolas que desfilam neste sábado na avenida, cinco já passaram pelo grupo especial. A primeira a desfilar, a partir das oito da noite, é a Amizade Zona Leste, com o enredo “Xangô e Iansã – O casal do Dendê no Ilê do Amizade”. Depois, vem a Imperatriz da Pauliceia, com “Congá, o altar sagrado da minha fé”. Na sequência, a Torcida Jovem chega com o enredo “ Axé – Raízes e Ritmos da Cultura Afro-baiana”, seguida pela bicampeã do grupo especial – a X-9 Paulistana, que traz o enredo “Yvy Marã Ei: A Busca pela Terra Sem Mal”. O enredista da escola, Leonardo Dahi explica a ideia de refletir sobre a preservação da natureza a partir de um mito dos povos guaranis. A quinta agremiação a desfilar neste sábado é a Unidos de São Lucas, com “Meu tambor é ancestral, heranças e riquezas de um povo… um Brasil de festas pretas!” Depois, é a vez do Unidos do Peruche, que apresenta o enredo “Oi! Esse Peruche Lindo e Trigueiro. Terra de Samba e Pandeiro”. Felipe Milanês, assistente do carnavalesco Chico Spinosa, comenta a homenagem do Peruche ao pandeiro, trazendo a história cronológica, mostrando a chegada do instrumento no samba. A sétima escola é o Morro da Casa Verde, que leva para a avenida “Santo Antônio de Batalha faz de mim batalhador”, seguida pelo Imperador do Ipiranga com o enredo “Berijóó, Inopí Doum – Ibeji”. A penúltima agremiação a desfilar é a Uirapuru da Mooca com “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência”. Quem fecha os trabalhos na madrugada de domingo é a Primeira da Cidade Líder, com “Paulo Barros, o Gênio do Carnaval”, numa homenagem ao carnavalesco. Desde 2022, os cortejos do Grupo de Acesso 2 passaram a acontecer no sábado anterior ao dos desfiles do Grupo Especial. O público pode assistir aos desfiles deste sábado de graça das arquibancadas do Anhembi. Não é necessário retirar ingressos antes, abertura a partir das seis da tarde. Para facilitar o acesso ao sambódromo, haverá linha especial de ônibus saindo dos terminais da Barra Funda e do Tietê. *Com colaboração de Carolina Pavanelli e produção de Bel Pereira Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/cultura/audio/2026-02/em-sp-tv-brasil-transmite-neste-sabado-o-desfile-do-grupo-de-acesso-2
